terça-feira, 17 de outubro de 2017

Contatos Perdidos

Toco minha pele
Na sua incrível pele

Pele, sensação, tesão
Pele, suavidade, colisão

Ferocidade no atrito lento
Percorre as peles ao relento

A pele real deixa vestígios
Na pele carnal, abrigos

Toco minha alma
Na sua incrível alma

quarta-feira, 23 de agosto de 2017

Quase Um Ano

Quase um ano sem me ver
Sem parar para falar comigo
Quase me esqueço de arder
Sentimentos rodando no umbigo

Quase um ano sem refletir
Repassar a luz e a escuridão
Quase me perco sem sair
Meu corpo parado na vastidão

Quase um ano sem me aproximar
Distanciado pela intimidade conjugada
Quase me abandono sem pensar
Ao léu, sem norte, sem nada

Quase um ano sem dizer quase
Quase penso que era tudo banal
Mas nem só de quases se fazem as frases
Cá estou novamente, sem quase, total.

domingo, 25 de setembro de 2016

Meridional

Ela descontração e eu tenso
Foi risadas mil, eu apreensão
Falou suave nada imenso
Enquanto eu era construção

Veio e se foi rápida e sempre doce
Foi constante, oscilante e marcante
Sem saber ficou mesmo quando foi-se
Uma nota contínua e ressonante

Volta flor da imensidão de sorrisos
A trazer música para ouvidos secos
Meus movimentos perdidos e indecisos
Saudosos das ondulações pelos becos

domingo, 28 de agosto de 2016

Insensíveis Nadas Cotidianos

Insensível sem coração nem cor
Refaz, reconstrói e se enche de "rês"
Procura não dar importância pra dor
"Pode me servir mais um café, Cortez?"

Sal misturado ao adocicado fel do líquido
O som das buzinas e sirenes parece distante
Central, reintegra-se ao caos diário e insípido
Como apenas mais um livro na estante

Resgata memórias de um passado esquecido
E a falta de sentimentos o faz sentir gelado
Algo rápido, que some num sagaz estalido
De dedos ocupados com um cigarro apagado

Levanta, pois, para exibir na rua sua decadência
Sem se importar com nada que aconteça à sua volta
"Quem sabe assim não continuo nessa leniência
de saber que nada nunca irá bater á porta"

domingo, 17 de julho de 2016

Ares Alheios

Toques entrelaçados por estrelas
Sorrisos quietos e murchos se esvaem
O fogo ainda solta algumas centelhas
Mas mesmo assim as lágrimas caem

Um buraco enorme se faz no seio
Massacrado por moléculas de ar
A dor de cavar no peito alheio
E ajudar o vento a soprar

Mesmo que tudo um dia irá passar
A estrada parece escura e sem fim
Acreditar faz parte do respirar
Mesmo que ainda persista a palavra fim.


Ao som molhado do Radiohead - No Surprises

segunda-feira, 11 de julho de 2016

Vazio Leviano

Pelas vielas esquecidas ao acaso
Se perdia e se encontrava em si mesmo
Analisando e ponderando cada passo
Mal percebia que ainda estava a esmo

Quisera pois encontrar o que procurava
Mas acabou percebendo um pouco tarde
Que mesmo estando mais do que estava
A incompletude ainda causava alarde

Ter em mãos a fantasia de um dia enluarado
Por um sol inexistente a iluminar o céu
Passos que caminham paralelos, lado a lado
Mas que se vêem caminhando sozinhos ao léu


domingo, 13 de março de 2016

Compêndio

Solares olhares radiantes de amar
Por que fui deixar isso acontecer?
Já podia prever onde isso ia dar
Desatento, me esqueci de me ater

Lunares pesares sombreados pelo mar
Já sabia tudo que iria aqui acontecer
Nada surpreende, nada irá mudar
E com verbos continuo a me envolver

Determinada e constante resolução
Não mais me preocuparei com a luz
Nem mesmo àquela melodiosa sensação
Tampouco o calor que ela produz

Já diziam os lírios brancos ao ouvido
"Corre, ó menino, o dia irá chegar ao fim"
E assim corri de minhas loucuras agradecido
Por ainda ouvir as flores de meu jardim